Projetos

SAFIN- Indígena Tapeporã

Reserva Indígena de Dourados | Aldeia Bororó, Dourados - Mato Grosso do Sul

  • Total: 70 de crianças atendidas


Filho de pai Guarani e mãe Kaiowá, Ronaldo Arêvalo será o responsável pelo Projeto Sombra e Água Fresca Indígena (SAFIN) em MS. O metodista que cresceu na Missão em Mato Grosso do Sul, conversou com o Expositor Cristão sobre suas expectativas, e sobre o último Encontro de Capacitação do Projeto Sombra e Água Fresca que aconteceu na cidade de São Paulo, em novembro de 2016.

Ronaldo começou sua fase de adaptação no início de novembro, mês em que compareceu ao encontro de Capacitação, especialmente para aprender mais sobre o trabalho com crianças pequenas. “Vim com a bagagem cheia de uma nova esperança. A capacitação foi muito boa. Melhorou, clareou as dúvidas. A minha dúvida maior era com as menores de 5 anos”, explicou o missionário, contando que geralmente nos finais de semana, os indígenas costumam fazer compras e deixam as crianças menores com aquelas que já tem idade para frequentar o projeto. “Muitos pais são usuários de bebida alcoólica. Como as crianças ficam? Sozinhas em casa?”, questiona.

O que tem acontecido ultimamente no SAFIN, é uma acolhida dinâmica para ampliar a faixa etária de atendimento, sem deixar nenhuma criança desamparada. “No sábado mesmo, tínhamos 95 crianças no SAFIN”, conta com alegria.

Ronaldo trabalha com saúde indígena fora do SAF, o que fez com que ele adquirisse experiência em questões levantadas durante a capacitação, como o combate a exploração sexual de menores. “Tive um caso muito triste de uma criança indígena, adotada por um tio, que foi abusada e espancada até a morte”, contou o agente. “A denúncia chegou para mim onde trabalho, mas no dia estava sozinho no posto e sem carro”, explicou Ronaldo contextualizando sobre as dificuldades e limitações do processo, mesmo em um caso onde ele e o denunciante sabiam da gravidade da situação.

“Recebi a denúncia em uma terça feira. Na quinta conseguimos comunicar a enfermeira chefe, que foi na hora verificar. Segundo o denunciante, os familiares eram agressivos. É bom ir acompanhado da liderança indígena e alguém do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), e ela fez isso”, afirmou o voluntário, antes de explicar que a equipe de socorro se deparou com a criança com o fêmur quebrado e sinais de forte agressão. Quando chegaram no hospital, a criança não resistiu e faleceu. Angustiado, o missionário explicou que nesse caso ainda deu tempo de prender os pais adotivos, mas não de salvar a criança, e ressaltou a importância de ter contato com delegacias, Conselho Tutelar e Polícia Civil da comunidade, além de orientações para agir com procedimentos corretos nessas situações.

Além de conduzir o enfrentamento que a Missão Metodista realiza ao oferecer um local seguro para crianças em situação de vulnerabilidade social através do SAF, Arêvalo também terá o desafio de continuar um trabalho coordenado nos últimos 33 anos pelo Pastor Paulo Costa e sua esposa Maria Imaculada (Pastora Ima). O casal também concedeu entrevista ao Expositor Cristão, publicada na edição de janeiro de 2017, onde compartilham sobre aposentadoria, projetos e também sobre a escolha de Ronaldo para o trabalho. Leia aqui.

“Como o pastor Paulo pediu a aposentadoria, procuraram uma pessoa para ficar. Eu conhecia de acompanhar, mas não diretamente”, conta Ronaldo explicando que quando foi procurado pela primeira vez pensou em seu trabalho como agente de saúde, mas logo conseguiu ver a missão como algo que precisava fazer. “Muitas crianças precisam, e depois da capacitação, já sei como trabalhar com brinquedos e fazer brinquedoteca”, falou na expectativa de já começar um trabalho diferente naquele final de semana. “Fui atrás de algo que me desse segurança para trabalhar com SAFIM, que é o meu lugar”, afirma ao se lembrar que já foi funcionário da Associação da Igreja Metodista (AIM), por 10 anos e se sente muito seguro na organização. “Até o final de 2017 vamos ter 200 crianças aqui. Começamos com 20, hoje tem 95. Só estão vindo e não estão indo embora mesmo depois de adolescente, com 18 anos. Recebemos voluntários de fora, até de outras igrejas”, afirma esperançoso sobre o trabalho, dizendo que é um ambiente receptivo para todos que desejam colaborar. “Uma voluntária enfermeira aposentada da Batista encontrou um lugar aqui para se voluntariar depois de muito procurar”, afirma.

O missionário também fala Guarani/Kaiowá paralelo e é membro da comunidade indígena. O Pastor Paulo Costa explicou em sua entrevista que essa escolha também faz parte da missão da igreja. “A nossa aposentadoria não se dá apenas por termos cumprido um tempo cronológico, mas sim porque a Igreja Metodista, por meio da Missão Metodista Tapeporã, conseguiu dentro dos anseios metodista de Evangelização e Missão capacitar Ronaldo Arêvalo, que é bisneto do Líder Indígena Cacique Ireno Isnarde – casa onde iniciou, e ainda acontecem hoje, os trabalhos da Missão. Ronaldo acompanhou a Missão Metodista desde a adolescência, é um colaborador da Missão”, afirmou.